Redes Wireless – Conceitos Básicos III

Neste post continuaremos a falar sobre conceitos básicos para entendimento dos sistemas wireless, sobretudo os aplicados em sistemas de automação industrial, que é o foco deste blog.

RSSI

RSSI é uma sigla que vem do inglês Received Signal Strength Indicator ou
indicador do nível de sinal recebido. É um parâmetro muito importante que indica a intensidade do sinal recebido em uma estação, ou seja, a potência do sinal recebido. Geralmente, todos os equipamentos digitais possuem este indicador. Se você usa ou já usou um computador/notebook acessando à internet ou a uma rede via um enlace wireless, já viu um indicador do nível de sinal da rede, similar ao mostrado na Figura 1.

Figura 1 – Indicador da intensidade do sinal de uma rede wireless

Conforme visto no post anterior, onde foi feito um esclarecimento inicial sobre o dB e seus derivados, a potência pode ser indicada utilizando-se o dBm, portanto, o RSSI também é dado em dBm.

Geralmente, o valor absoluto da potência recebida em equipamentos integrantes de uma rede wireless é muito baixo, na ordem de microwatts (1×10-6W) e até nanowatts (1×10-9W), o que é expresso em dBm, na ordem de -60 a -90dBm (ou até menos), respectivamente.

Os equipamentos possuem uma faixa possível de medição do RSSI, por exemplo, -50 a -120dBm, o que significa que -120dBm é o menor nível de sinal que pode ser medido pelo equipamento (onde provavelmente será impossível o funcionamento da rede) e -50dBm é o ponto de saturação, ou seja, operação com máximo nível de sinal, o que também não é interessante, pois a operação em saturação pode causar aquecimento e travamentos do equipamento.

RUÍDO DE FUNDO

O ruído de fundo pode ser definido como a intensidade do sinal recebido na ausência do sinal da rede wireless de interesse. Assim, o ruído de fundo compreende toda a gama de sinais recebidos que não são de interesse para o sistema em questão, compreendendo ruídos aleatórios, sinais espúrios, sinais provenientes de outras redes ou outros sistemas wireless.

Portanto, este é um outro parâmetro importante para a operação de uma rede sem fios. Não adianta saber somente a intensidade do sinal recebido (RSSI) sem conhecer o ruído de fundo.

Como o ruído de fundo também é dado em dBm, pode-se fazer uma avaliação do mesmo perante o RSSI de maneira simples, apenas subtraindo o ruído de fundo do RSSI (o resultado é em dB). Esta diferença é informada em alguns tipos de equipamento como S/R ou SNR (Signal to Noise Ratio ou Relação Sinal Ruído) e indica quantas vezes o sinal é maior que o ruído. Geralmente, um SNR de 10dB é um valor mínimo para a operação de um sistema (10dB sinaliza que o sinal é 10 vezes maior que o ruído. Veja este conceito no post anterior).

É pelo desconhecimento deste parâmetro é que não compreendemos porque às vezes podemos encontrar ou experimentar uma rede sem fios para computadores (para acesso à Internet, por exemplo), que está com um nível de sinal excelente (avaliação do RSSI) mas de vez em quando perde a conectividade.

SENSIBILIDADE

A sensibilidade ou sensitivity é definida como a menor intensidade de sinal do qual um equipamento consegue ainda decodificar informações a uma determinada velocidade. Sendo mais claro, representa o menor nível de sinal para a operação de um equipamento wireless em uma determinada velocidade com um erro aceitável.

Os equipamentos que trabalham de acordo com os padrões IEEE 802.11abg, possuem várias velocidades de operação e para cada velocidade haverá um valor de sensibilidade associado. Por exemplo, um determinado equipamento trabalha com o padrão IEEE 802.11b e por isso possui as velocidades e sensibilidades indicadas na Tabela 1:

Velocidade (Mbps) Sensibilidade (dBm)
11
-91
5.5
-92
2
-94
1
-96

Tabela 1 – Velocidade e sensibilidade de um determinado equipamento wireless industrial

CONCLUSÃO
Os conceitos apresentados neste post são fundamentais para entender e diagnosticar o funcionamento de um determinado sistema wireless. No próximo vamos abordar a questão de antenas e cabos, finalizando a parte fundamental para o entendimento de sistemas wireless e em seguida, daremos continuidade ao assunto, mas abordando aplicações industriais.

Comente este post, enviando sugestões, críticas e relevância deste tema. Participe também do nosso grupo de discussões, se cadastrando ou acessando o mesmo através do link na barra lateral.

Até lá!

Anúncios

2 comentários sobre “Redes Wireless – Conceitos Básicos III

  1. Parabéns pelo blog de excelente qualidade há bastante tempo sigo seus posts pois trabalho na área de automação industrial também, não com sistemas wireless, ainda…

    só uma coisinha, nanowatts (1×10-6W)…miliwatts não?!?!

    Mais uma vez parabéns…

    Att

  2. André,

    Obrigado pelos comentários… esse retorno é muito importante.

    A respeito de sistemas wireless, gostei do seu “ainda”… com certeza em breve você encontrará algum desafio desse pela frente… é um caminho sem volta.

    A respeito do nanowatts, foi até bom seu comentário porque eu escrevi nanowatts duas vezes, quando na verdade seria microwatts (1×10-6W) e nanowatts (1×10-9W). É isso mesmo! O nível de sinal recebido em geral é nesta ordem. Trabalho com equipamentos que o máximo que conseguem medir é -40dBm, o que equivale a 100×10-6W ou 0,1 miliwatt, ou seja, menos que 1×10-3W (1 miliwatt). Não conheço nenhum equipamento que trabalhe com valores maiores… quem sabe “ainda”… eheheh…

    Um abraço!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s